Economia se manterá instável em 2018, projeta pesquisador da Drummond

A economia brasileira se manterá em níveis instáveis no ano que vem. A perspectiva é do professor doutor em Direito, José Carlos Carota, que também é integrante do Programa de Pesquisa Docente da Faculdade Drummond, em resumo à sua pesquisa iniciada sobre a complexidade do cenário econômico nacional.

Na opinião do docente, a população brasileira ainda se verá forçada a conter despesas e assumir menos riscos com os gastos e nas escolhas de compras. “Considerando um cenário econômico em que o Estado continua aumentando seu déficit público, não creio que a população possa esperar uma melhora significativa na economia, e sim certa estabilidade do atual cenário, que é ruim”, afirma o pesquisador.

A situação delicada da economia brasileira, que vem sofrendo desde 2008 com a crise internacional, que atingiu, sobretudo, os Estados Unidos e a Europa, e de forma mais intensa, a partir de 2013, atinge, em especial, a população, que viu o nível de desemprego subir a números alarmantes.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), neste mês de agosto, o Brasil conta com 26,3 milhões de desempregados ou pessoas vivendo em situação de subocupação.

O dado mais perverso dessa crise é o retorno à linha da pobreza, entre 2014 e 2015, segundo pesquisa divulgada, no último dia 16, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pela Fundação João Pinheiro.

Dados do mercado financeiro

Já o mercado financeiro tem revisto para cima alguns números importantes para a melhora da economia, como a inflação, o Produto Interno Bruto (PIB), e a taxa básica de juros, a Selic. Segundo Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que ouviu 100 empresas, em 2017 a produção econômica brasileira deverá fechar com um avanço em 0,34%. O número pode parecer pequeno, mas será o primeiro saldo positivo dos últimos anos. Para 2018, a projeção é que o PIB cresça 2%.

Na tentativa de controlar a inflação, eterno problema do País, o mercado projeta que o Banco Central recuará para 7,5% a taxa Selic. Esse percentual deverá ser o mesmo para 2018. Atualmente, diante de reduções nas últimas reuniões do Comitê de Política Econômica (Copom), a Selic está em 9,25% ao ano.

Em termos de inflação, propriamente dito, a expectativa, ainda de acordo com o levantamento do Boletim Focus, é que este índice feche este ano em 3,5%, e, em 2018, 4,20%. Para ambos os casos, a taxa estaria abaixo da meta estipulada pela equipe econômica do Governo Federal, que é de 4,5%. No acumulado deste ano, a inflação ficou, até agosto, em 1,79%, sendo a menor variação desde a criação do Plano Real. No mesmo período do ano passado, a alta nos preços estava em média em 5,66%.

“Apesar das crises políticas e econômicas que enfrentamos há décadas, onde nos habituamos a trabalhar com cada vez mais incertezas, acreditamos que estes fatores associados garantem a sustentabilidade da nação”, pondera Carota.